Situações do Paraguaçú no Atlântico...
Fotos: preparando para reparações (Canárias); a bordo em modo 'proteção' (2 e 3); remando; medindo força do vento e testando dispositivo (kite) que utiliza energia limpa.
Próximo texto: situações nas ilhas de Cabo Verde
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Thursday, 12 June 2014
Monday, 15 April 2013
Dos sonhos ao 'massacre nadegal'!
Com o perdão dos leitores por algum eventual parágrafo que surja repetido, esta devia ter sido uma das primeiras crónicas (só depois dela se entenderia a referência ao Freud...)
Os sonhos intensificam-se um mês antes da partida: ilhas, baleias, ‘sereias’, e azul, azul, azul… muito azul! Algum stress sente-se nas semanas prévias à partida, ao tentar assegurar que todos os pormenores estão previstos, em ordem, e que não sobram para a ‘última hora’. A angústia do infinito sente-se nos dias e horas pré-partida, quando a ansiedade se transforma no formigueiro que revolve o esterno (a apreensão abrumadora das distâncias extremas e do desconhecido). Os primeiros dois dias no mar serão de apreensão, para conseguir afastar-me da costa e da rota dos grandes navios, para lá do meridiano de longitude 17º. A primeira noite será de exaustão (?) e dúvida entre o sentimento de ‘trabalho cumprido’ e o de ‘ainda podia avançar mais’. As segunda e terceira noites serão de estranheza, pelo afastamento da segurança de terra, e de adaptação à ‘casa’ no novo meio. Simultaneamente, os primeiros 10 dias serão de choque – o choque físico da adaptação do corpo a tamanho castigo de tantas horas a remar em ‘chão’ instável – e deixarão a sensação de que qualquer treino anterior pareça ter sido puro desperdício de tempo! O 15º dia poderá constituir um marco – duas semanas passadas, em 17 -, tal como o 21º dia – a referência do Reiki que diz que a partir desse dia tudo passará a simples rotina; além de que será sinal da aproximação a Cabo Verde. O 30º dia assinalará que um ¼ da viagem foi cumprido. A aproximação ao equador (latitude 0º) far-se-à próximo do 60º dia de viagem, assinalará a ‘metade’ da travessia e exigirá um tributo a Neptuno com a abertura de, pelo menos, uma cerveja para comemorar! As calmarias serão momentos especiais, bem-vindos, tal como o avistamento de peixes de grande porte, e constituirão justificação para ficar assinalados com um ‘z’, de momento zen (segundo o código estabelecido com o Amadeu para o protocolo de comunicação), na cabina do Paraguaçú.
Curto momento zen: http://youtu.be/ZJDAFheRF9Y
Aquela descrição era apenas uma previsão mas, premonitoriamente, anotei na minha agenda a 10 de fevereiro: “tal como na montanha o frio é o principal inimigo, o que te imobiliza, te faz rogar pragas e desejar o paraíso de sol e praia, no mar, possivelmente é o enjoo que adquire este papel”.
(continua...)
Os sonhos intensificam-se um mês antes da partida: ilhas, baleias, ‘sereias’, e azul, azul, azul… muito azul! Algum stress sente-se nas semanas prévias à partida, ao tentar assegurar que todos os pormenores estão previstos, em ordem, e que não sobram para a ‘última hora’. A angústia do infinito sente-se nos dias e horas pré-partida, quando a ansiedade se transforma no formigueiro que revolve o esterno (a apreensão abrumadora das distâncias extremas e do desconhecido). Os primeiros dois dias no mar serão de apreensão, para conseguir afastar-me da costa e da rota dos grandes navios, para lá do meridiano de longitude 17º. A primeira noite será de exaustão (?) e dúvida entre o sentimento de ‘trabalho cumprido’ e o de ‘ainda podia avançar mais’. As segunda e terceira noites serão de estranheza, pelo afastamento da segurança de terra, e de adaptação à ‘casa’ no novo meio. Simultaneamente, os primeiros 10 dias serão de choque – o choque físico da adaptação do corpo a tamanho castigo de tantas horas a remar em ‘chão’ instável – e deixarão a sensação de que qualquer treino anterior pareça ter sido puro desperdício de tempo! O 15º dia poderá constituir um marco – duas semanas passadas, em 17 -, tal como o 21º dia – a referência do Reiki que diz que a partir desse dia tudo passará a simples rotina; além de que será sinal da aproximação a Cabo Verde. O 30º dia assinalará que um ¼ da viagem foi cumprido. A aproximação ao equador (latitude 0º) far-se-à próximo do 60º dia de viagem, assinalará a ‘metade’ da travessia e exigirá um tributo a Neptuno com a abertura de, pelo menos, uma cerveja para comemorar! As calmarias serão momentos especiais, bem-vindos, tal como o avistamento de peixes de grande porte, e constituirão justificação para ficar assinalados com um ‘z’, de momento zen (segundo o código estabelecido com o Amadeu para o protocolo de comunicação), na cabina do Paraguaçú.
Curto momento zen: http://youtu.be/ZJDAFheRF9Y
Aquela descrição era apenas uma previsão mas, premonitoriamente, anotei na minha agenda a 10 de fevereiro: “tal como na montanha o frio é o principal inimigo, o que te imobiliza, te faz rogar pragas e desejar o paraíso de sol e praia, no mar, possivelmente é o enjoo que adquire este papel”.
De
facto, ao fim de uma semana no mar alto, enviei ao Amadeu a seguinte crónica: "Confirma-se
a 'teoria' de que após os primeiros dias no mar, em especial se for a levar ‘tareia'
e a vomitar, os treinos anteriores e o trabalho de 'engorda' parecem não ter
servido de nada. É como recomeçar de zero. Agora, após pausa para reparações em
Fuerteventura preparo-me para uma etapa de 40 dias". E, nos dias
seguintes, após a paragem em Tarajal, enfatizei essa ideia com as seguintes
palavras:
“Ao chegar a Tarfaya (Marrocos), o Motta disse que
tenho «a melhor cama do mundo»: um colchão de água com quilómetros de
espessura. A fossa abissal de Cabo Verde, na qual estou a entrar, atinge mais
de 4.100 metros de profundidade. São milhões os metros cúbicos de água mas
mesmo assim este colchão não me impede de sentir as dores lombares. Após o mar
picado dos últimos dias já só posso discordar de tal afirmação: penso antes num
chocalho dentro de uma máquina de lavar a roupa sobre o dorso de uma mula
irrequieta (histérica!?) a trotar num caminho de cabras monte abaixo… e com o tipo
do martelo hidráulico a trabalhar ao lado (o som do leme a bater no casco). Nesta
semana conclui também que o 'massacre
nadegal' (expressão do amigo Motta)
não é apenas das nádegas mas também de trapézios, zona lombar, etc.”(continua...)
Monday, 1 April 2013
Paraguaçú pelos ares / Paraguaçú goes 'up & away'
português / español / english
Paraguaçú pelos ares...
O elevado grau de incerteza inerente à atividade foi ampliado por alguma desinformação e alarmismo relativos à meteorologia – a sul da Gran Canária os locais falam de ano atípico (tal como o anterior), com ventos fortes de direção irregular, para a época do ano, sem que os alíseos cheguem a estabilizar. Talvez as alterações climáticas sejam, precisamente, o fator que dificulta a progressão do Paraguaçú.
Para a decisão contribuíram ainda, de forma
decisiva, os problemas técnicos (a detalhar no próximo texto); os problemas
orçamentais (ultrapassado o orçamento definido) e de tempo disponível previsto;
e a questão logística relativa ao apoio nas aproximações a terra (nas Canárias,
inexistente; em Cabo Verde, indeterminado; no Brasil, previsto mas eventualmente
insuficiente).
Tal como um acidente não se deve,
normalmente, a uma única causa mas ao acumular de circunstâncias desfavoráveis,
também a decisão tomada não se deve a um único motivo mas à soma de um conjunto
de incidentes e condições potencialmente desastrosas. A decisão foi difícil e
colocou em confronto um lado racional que quer prosseguir mas reconhece as
limitações, e uma parte mais… visceral, que rejeita o enjoo.
A travessia fica assim ‘suspensa’ até que
se reúnam condições suficientes para prosseguir.
Quanto aos objetivos da ação desenvolvida,
nem tudo se perdeu. Bem pelo contrário:
- O alerta que pretendemos transmitir (a
sustentabilidade e a necessidade de maior eficiência energética, o alerta para
o excesso de consumo de energias de origem fóssil, a proteção da Amazónia e das
florestas em geral) terá porventura beneficiado mais da exposição mediática
resultante do episódio do ‘salvamento’ do que teria conseguido com a própria
chegada ao Brasil. Esta sede de ‘sangue’ dos meios de comunicação (a agência
espanhola de informação fabricou todo um contexto para difundir a ‘noticia’)
reduziu-se quando esclarecemos que não houve um resgate – como quem diz “se não
há sangue não me interessa divulgar” (fazendo lembrar a anedota das peixeiras
do Bulhão a falar do filme ‘Os canhões de Navarone’)
- O Paraguaçú está bem posicionado para
futura largada
- Obtive uma revelação inesperada, ao largo
de Fuerteventura, que, junto com a informação e sensações recolhidas nos dias
de navegação, me permitirá terminar o livro ‘Ensaio sobre a solidão’ (como
anotei em dado momento, “em 3 dias vivi todo um leque de experiências que
esperava viver em 3 meses…”
Ratifico os agradecimentos a todos os que
apoiaram a logística do projeto – Marina de Lagos, CNL, Atelier Gráfico, Nautel,
Nivalis, Victory Endurance, Windsurf Point, Paulo César Santos – aos que
contribuíram financeiramente – Euritex, tia Luísa, Amélia H., Sónia B., João
Correia…; ao pai, à Inês, ao João Pedro, ao Quico; a todos os que seguiram com
interesse as notícias e expressaram o seu apoio e motivação; aos que me
acompanharam até à largada em Marrocos e àqueles que torciam pela chegada ao
Brasil; à gente estupenda e de grande coração da vila piscatória de Castillo
del Romeral (Agu, Ramón, Mundito e restaurante Confradia de Pescadores). Para todos, e principalmente para a
inexcedível equipa de apoio – Amadeu Garcia e J.C. Viegas – um ‘imenso’ abraço.
ZFotos: vientos fuertes impiden salida del Paraguaçú (que necesitava una cometa como aquella); muelle de Castillo del Romeral, y Pico de las Nieves al fondo; elevado para guardar en el solar de un amigo.
Paraguaçú por los aires...
El
grado de incertidumbre de la actividad fue ampliado por alguna desinformación y
alarmismo a respecto de la meteorología – al sur da Gran Canaria los locales
hablan de año atípico (tal como el anterior), con vientos fuertes de dirección
irregular, para la época del año, sin que los alisios llegaran a estabilizar. Puede
que las alteraciones climáticas sean, justamente, el factor que dificulta la
progresión del Paraguaçú.
Para
la decisión final han contribuido aun, de forma decisiva, los problemas
técnicos (más detalle en breve); los problemas presupuestarios (sobrepasado el
presupuesto definido) y de tiempo disponible; la cuestión logística relativa al
apoyo en las aproximaciones a tierra (en Canarias, inexistente; en Cabo Verde,
indeterminado; en Brasil, previsto pero eventualmente insuficiente).
Tal
como un accidente no se debe, normalmente, a una sola causa pero al acumular de
circunstancias desfavorables, también la decisión tomada no se debe a un solo
motivo pero a la suma de un conjunto de incidentes y condiciones potencialmente
desastrosas. La decisión fue difícil y colocó en confronto un lado racional que
quiere proseguir pero reconoce las limitaciones, y una parte más… visceral, que
rechaza el mareo.
El
cruce del Atlántico queda pues ‘interrumpido’ hasta que se junten condiciones
suficientes para proseguir.
Respecto
de los objetivos de la acción emprendida, ni todo se ha perdido. Todo al revés:
-
El alerta que pretendimos transmitir (la sostenibilidad y la necesidad más eficiencia
energética, el alerta para el exceso de consumo de energías de origen fósil, la
protección de la Amazonia y de los bosques en general) habrá beneficiado más de
la exposición mediática resultante del episodio del ‘salvamento’ que de lo que
hubiera logrado con la propia llegada a Brasil. Esta sede de ‘sangre’ de los medios
(la agencia española de información fabricó todo un contexto para difundir la
‘noticia’) se ha reducido cuando aclaramos que no hubo rescate – como quién dice
“si no hay sangre no interesa divulgar”
-
El Paraguaçú está bien posicionado para futura largada
-
He tenido una revelación inesperada, cerca de Fuerteventura, que, junto con la
información y sensaciones recogidas en los días de navegación, me permitirán
terminar el libro ‘Ensayo sobre la soledad’ (como escribí: “en 3 días he vivido
todo un abanico de experiencias que contaba vivir en 3 meses…”
Ratifico
los agradecimientos a todos los que han apoyado la logística del proyecto –
Marina de Lagos, CNL, Atelier Gráfico, Nautel, Nivalis, Victory Endurance,
Windsurf Point, Paulo César Santos – a los que han contribuido financieramente
– Euritex, tia Luísa, Amélia H., Sónia B., João Correia…; a mi padre, a Inês, a
João Pedro, a Quico; a todos los que han seguido con interés las noticias y han
expresado su apoyo y motivación; a los que me han acompañado hasta la salida,
en Marruecos y a aquellos que esperaban la llegada en Brasil; a la gente
estupenda y de grande corazón del pueblo de pescadores de Castillo del Romeral
(Agu, Ramón, Mundito y restaurante Confradia
de Pescadores). Para todos, y en especial para el equipo de apoyo – Amadeu
Garcia y J.C. Viegas – un ‘inmenso’ abrazo.
José
Paraguaçú goes 'up and away'...
The high level
of uncertainty of this activity was amplified by some misinformation and alarm
regarding the weather forecast – in the south of Gran Canaries, locals talk
about atypical year, with strong and irregular winds for this time of the year.
Perhaps climate changing is, precisely, the factor that is creating
difficulties to the progress of the Paraguaçú.
To the final
decision have also contributed the technical problems, the limited budget and
the restrictive available time, and the logistical issue regarding the support
on arrival to the coast (at Canaries, inexistent; at Cape Verde, unconfirmed; at
Brazil, eventually insufficient).
As to an
accident there are, normally, several circumstances that accumulate and contribute to the final
result, also the decision taken here did not depend on one single factor but on
the sum of a series of small incidents and conditions potentially disastrous. The
decision was hard and confronted the rational side, wanting to proceed but
recognizing the limitations…
The crossing
stays ‘suspended’ until sufficient conditions are assured.
Regarding the
goals of the action taken, not everything is lost. On the opposite:
- The alert that
we wanted to transmit (sustainability and the need of a better energetic
efficiency, the problem of the high consumption of energies based on fossil resources,
the protection of the Amazon and all the forests in general) has eventually profited
more from the media exposure due to the ‘rescue’ episode than what it would get
from the arrival in Brazil itself! This thirst for ‘blood’ of the media was
reduced once we explained that there was no rescue but a towing.
- Paraguaçú is
well placed for a future departure
- I have lived
an unexpected revelation, south of Fuerteventura, that will allow me, together with
the information and sensations lived during the navigation, finish the book ‘Essay
on loneliness’ (as I wrote “in 3 days I have lived the experiences I expected
to live in 3 months…”)
Thanks again
to all those that supported the logistics of this project – Marina de Lagos,
CNL, Atelier Gráfico, Nautel, Nivalis, Victory Endurance, Windsurf Point, Paulo
César Santos – to those who contributed financially - Euritex, ant Luísa,
Amélia H., Sónia B., João Correia…; to dad, Inês, João Pedro, Quico; to those
who followed the news with interest and expressed their support and motivation;
to those who joined me to the departure point in Marocco and to those who were
expecting me in Brazil; to the fishermen people with a big hart of Castillo del
Romeral (Agu, Ramón, Mundito and Confradia
de Pescadores). To all of them and especially to the support team – Amadeu
Garcia and J.C. Viegas – a ‘huge’ hug.
Joe
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